O mar é imenso. As águas não são azuis, nem verdes. Parecem-me castanhas, aqui e ali espumas brancas.
As ondas são mansas e quase silenciosas.
Sobre as águas eu me deito e fico boiando, as ondas vão me levando de lá pra cá, de cá pra lá. Agora me levam para mais longe.
Para onde irei, pergunto-me sem preocupar-me com o meu destino.
Às vezes tenho o pressentimento que me levarão para um lugar estranho, nunca visto, mas lugar de paz e de tranquilidade.
Que lugar será este?
Uma casa de repouso, um convento, um céu?
Que coisa tão esquisita - não sei nadar, nem boiar e como é que as águas vão me levando assim à vontade e eu não afundo, não naufrago, não morro? Como será isso?
Talvez seja porque não afundei, não naufraguei e não morri quando o meu amor partiu.
Com certeza espero que as ondas me farão chegar sã e salva à Terra firme, onde a luz está sempre a brilhar, onde é sempre manhã. Onde ele me espera para o encontro final.
Sei que chegarei molhada pelas águas do mar, mas o seu abraço me aquecerá de imediato e ficaremos sob o eterno sol da manhã falando um ao outro da saudade que sentimos quando separados.
Sei que ele vai rir quando eu lhe disser que tenho no canal das lágrimas uma "bóia" que deixou de funcionar. Não suportou a força das lágrimas e se quebrou.
Hoje elas deslizam livremente pela minha face. Nem as sinto mais - tão leves e tão companheiras - não me deixam nunca.
Continuo boiando e até hoje não consegui entender como não afundo, não naufrago, não morro e também não chego à Terra firme.
Com certeza Deus ainda está indeciso a meu respeito - "quando a recolherei?"
Continuo a boiar.
Até quando?

Um comentário:
Estive aqui!
Nossa fazia tempo hein?
bjo
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